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11/11/2013

Mais médicos ou mais meios?

Prof. Tales de Sá Cavalcante

Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito

No Brasil, o número de médicos por 1.000 pessoas é 1,8. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o índice 1,0 já é suficiente. Aqui, há 201 cursos de Medicina. Na China, com
1,3 bilhão de habitantes, 150; e nos EUA, 141. O Brasil investe “per capita” na saúde menos que Uruguai, Argentina ou Chile. Se há algumas deficiências regionais, necessários são estímulos, a começar por boas condições de trabalho, assim como um servidor da Petrobras é tratado diferentemente ao trabalhar numa plataforma.

Por que então importarmos médicos? Na crise, talvez os “marqueteiros” tenham sugerido “mudar o foco”. A real escassez não é de médicos, senão de hospitais, equipamentos, boa gestão hospitalar, atrativos para lugares distantes, enfim, de “mais meios”, como disse Alexandre Garcia.

Conheço bem estes profissionais, pois, antes de médicos, eles são meninos e adolescentes. Por contribuir para suas vitórias no difícil ingresso em Medicina, convivo, aprendo com eles e os admiro.

Em 1970, na melhor seleção de futebol de todos os tempos, as grandes decisões não eram oriundas do técnico, senão do diálogo entre Zagallo e os jogadores talentosos.

Se os médicos têm a saúde como a sua “praia”, por que então colocar talentos em oposição em vez de ouvi-los? Por sua notoriedade, eles têm soluções para esses problemas e talvez até para os outros, como os ora expostos nas ruas, quando o elástico, há anos tensionado por “representantes do povo”, chegou à exaustão e rompeu.

Com os reais problemas que nos afligem, postergados por mudanças de foco em função da próxima eleição, lembramo-nos do grande Sócrates, ao apontar a vulnerabilidade da democracia na escolha pelo voto, em que “os eleitos eram os mais populares e não os mais sábios”. Que os políticos, legitimamente considerados os mais populares, em vez de se afastarem dos sábios, ouçam seus conselhos e, no caso da saúde, sigam aqueles cuja sabedoria é utilizada em prol de vidas.

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